sexta-feira, 3 de outubro de 2008

REFLEXÃO SOBRE AS ELEIÇÕES EM PAULISTA-PE

*por José Ricardo de Souza

As eleições municipais se aproximam e como não poderia deixar de ser desenha-se o mesmo cenário de eleições passadas: centenas de candidatos literalmente caçando seu voto. Em Paulista-PE, são 6 candidatos a prefeito e 263 disputam as 14 vagas da Casa de Torres Galvão, nome oficial de nossa Câmara Municipal, que deverão ser escolhidos por 181.734 eleitores (92.528 da Zona 12 e 89.206 da Zona 146). Como não poderia deixar de ser, nesse universo de candidatos você encontra de tudo: de empresário a dono de boteco, de “doutor” a semi-analfabeto, de liderança a oportunista, etc. O que faz tanta gente ser candidato ? Servir à comunidade, ao povo que o elegeu ? Certamente não, pois vejam os exemplos daqueles que ocuparam a Câmara Municipal e praticamente nada fizeram em benefício da população. Muito pelo contrário, o que se viu foi uma enxurrada de denúncias que versavam desde sobre contratação ilegal de funcionários até a má gestão de dinheiro público (veja a listagem do Tribunal de Contas do Estado, só em Paulista, 25 pessoas foram citadas).
O Ministério Público local bem que tentou impedir que políticos citados na lista do TCE tivessem suas candidaturas impugnadas, mas infelizmente o Tribunal Superior Eleitoral permitiu que políticos com “ficha suja” disputem as eleições em todo o país, o que é lamentável. Veja o seguinte: se você for aprovado num concurso público e tiver “ficha suja” você não pode ser nomeado, mas políticos corruptos podem disputar a eleição! Na prática, político acaba levando vantagem antes mesmo de ser eleito, embora a própria palavra candidato venha do latim candidatu que significa cândido, puro, sem máculas...
Em tempos eleitorais aparecem soluções para todos os problemas da cidade: é fulano prometendo isso, é cicrano falando que vai fazer aquilo, é beltrano dizendo que vai tirar as criancinhas da rua e os jovens da marginalidade e por aí vai... Quem não tem o que dizer, não tem propostas concretas (tem candidato que não sabe nem o que é um poder legislativo municipal) fica metendo o pau nos outros candidatos, e ele, é claro, se fazendo de bonzinho. E o pior que essa politicagem está em toda parte, até onde não deveria, como por exemplo dentro das escolas, postos de saúde e das igrejas. Tem muito candidato querendo conquistar (quer dizer, enganar) o eleitor pela sua fé. E tem muito eleitor ingênuo que ainda caí nessa velhíssima cilada de votar em fulano porque fulano todo domingo vai na Igreja...
Eleição é coisa séria e com seriedade tem que ser tratada. Votar por votar, apenas como uma obrigação, ou para ganhar 10 ou 20 reais na “boca de urna” (o que é terminantemente proibido pela legislação) é uma pena, pois acaba elegendo os piores em vez dos melhores para governar a cidade e elaborar suas leis. Quatro anos é muito tempo para convivermos com políticos desonestos e interesseiros que só pensam em enriquecer e privilegiar amigos e conhecidos. Vamos pensar bem antes de digitar nosso voto. Conhecer bem seu candidato, seu passado, e suas propostas. E se ele for eleito, cobrar que ele cumpra seus compromissos de campanha. Afinal, eleitor consciente é eleitor inteligente, que sabe que o seu voto pode contribuir para melhorar ou piorar sua cidade, dependendo de quem ele escolher para legislar nos próximos quatro anos. Pense nisso e boa eleição.

* O autor é historiador, professor da rede pública estadual de ensino, escritor; membro da Academia de Letras e Artes da Cidade do Paulista.

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