quarta-feira, 25 de julho de 2007

Mudanças e permanências

“O estado de Pernambuco assiste a mais uma greve de trabalhadores em educação. As causas são, basicamente, as mesmas de tantas outras, em vários governos. As pautas têm vários pontos em comum, porque os sucessivos governos também têm comportamentos semelhantes, no trato com a educação: não priorizam; não investem o que este setor estratégico merece; permitem que a maioria da população continue prisioneira da falta de uma educação democrática, pública e de qualidade. (...) Outro aspecto desta política aparece quando os trabalhadores em educação recorrem ao instrumento da greve para conquistar suas reivindicações. A resposta veio na forma de ameaças, dentro de uma postura essencialmente autoritária. (...) Como classificar um governo que considera a greve ilegal, tentando se amparar no argumento da não existência de uma Lei Complementar que regulamente a questão? (...) Manter o fechamento das negociações é dizer, com seu gesto, que a situação continuará a mesma, ou seja, uma educação em crise, onde falta até gás para cozinhar a merenda, causando a deterioração dos alimentos; com profissionais insatisfeitos, déficit de professores e, fundamentalmente, deixando a população submetida a uma educação incapaz de preparar seus filhos para os desafios do mundo moderno”.

Quem proferiu este discurso panfletário? Algum professor grevista cheio de fúria e radicalismo? Não, foi um certo deputado de um certo Partido dos Trabalhadores, que nos idos de 27 de abril de 1999 proferiu um pronunciamento na Assembléia Legislativa de Pernambuco ressaltando seu apoio e solidariedade aos educadores em greve durante o início do governo Jarbas Vasconcelos. Menos de dois anos após este pronunciamento, o inflamado deputado defensor dos professores foi eleito para comandar a Prefeitura do Recife.

Como já ensinou o filósofo grego Heráclito de Éfeso (540 a.C. - 470 a.C.): as coisas mudam. Em determinados casos, contudo, as coisas mudam demais! Professores da rede municipal recifense foram à luta em busca de melhores condições salariais e de um aprimoramento em seu dia-a-dia de trabalho nas unidades escolares. Os trabalhadores em educação fizeram greves e João Paulo não repetiu o seu discurso de 1999.

Desde 11 de junho, os trabalhadores em educação da rede estadual estão em greve exigindo que o governador Eduardo Campos cumpra seu compromisso de oferecer à educação um status de prioridade para o desenvolvimento de Pernambuco, intensificando investimentos e oferecendo melhorias nas condições dos trabalhadores, afinal, os professores da rede oficial do Estado de Pernambuco recebem o pior salário do Brasil.

Lendo o pronunciamento do então deputado João Paulo, a situação descrita por suas palavras são idênticas ao que se vê nesta greve de hoje. Para nossa infelicidade, Heráclito não poderia ser citado neste caso, pois nem tudo muda! Não mudaram as condições denunciadas por João Paulo, mas hoje ele não declararia publicamente sua fúria contra a gestão estadual, pois o prefeito e o governador são aliados e mantém cordial e fraternal relação de compadres políticos. Mas, salve Heráclito: João Paulo mudou!!!

Nossa greve tem propósitos claros e estão associadas ao nosso compromisso com a educação e à nossa responsabilidade como educadores. A greve também está relacionada à nossa disposição de defender nossa dignidade social e profissional. Apesar das reviravoltas que políticos malabaristas podem fazer, mudando de lado ou traindo seus discursos e compromissos de campanha, nós estamos firmes com a consciência de que precisamos agir e demonstrar que educamos tanto nas salas de aula quanto na luta. A sociedade só tem a ganhar quando seus educadores estão fortalecidos.

2 comentários:

  1. E incrível a crítica é tão atual que parece ter sido escrita pra esta greve de 2007 e no entanto foi em 1999 no século passado no governo de Jarbas Vasconcelos.

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  2. Albênia de Souza4 de agosto de 2007 22:42

    Atestando mais um ato de insanidade o secretário de educação (Danilo Cabral)determina o cumprimento de 200 dias letivos através de um calendário feito de forma arbitrária sem discursão com a comunidade escolar, acrescentando em cada turno uma hora aula a mais. Dessa forma o turno da noite se encerrará as 22h10min. Isto prova que o secretário deconhece totalmente a realidade das nossas escolas, inclusive as localizadas em áreas de difícil acesso onde o transporte coletivo é disponibilizado até as 22h no máximo! De que adiantam 200 dias letivos sem QUALIDADE alguma?

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