sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Debate na Rádio Jornal - A reposição entre festas e "avanços"

O debate sobre a crise na educação apresentado no programa “Movimento”, conduzido pelo comunicador Ednaldo Santos, nesta noite de quinta-feira foi mais um momento revelador.

Primeiramente, surgiu no debate a avaliação sobre os resultados da greve. Indicamos nossa posição de que o resultado foi sofrível e irrisório, a direção do Sintepe (através do presidente Heleno Araújo) explicitou como se deu o processo de negociação com o governo e a representação da Secretaria de Educação (por meio da professora Aída Monteiro) defendeu os argumentos do governo sobre as limitações da administração e do erário em atender ao conjunto de reivindicações. O tema relativo à "priorização" da educação baseou esta discussão, mas as percepções a este respeito não são convergentes.

A “proposta” de calendário de reposições de aulas e suas “sugestões” foram defendidos como se fossem viáveis e representassem um avanço. Mas para quem não vai precisar ministrar 18 aulas em um dia sem descanso, o “avanço” parece resolver pendências deixadas pela greve. Prega-se autonomia das unidades escolares e o espaço para o exercício da livre adaptação às contingências específicas de cada uma. Mas onde há espaço para a tal “criatividade” dos gestores e professores em compor um calendário de reposições diante das amarras estabelecidas pela Secretaria de Educação, que determina as condições da reposição? Será possível a “autonomia” das escolas diante de restrições práticas tão rígidas? Se a data-limite do ano letivo segundo o calendário é o dia 29 de dezembro e a necessidade de ampliar a carga-horária é um fato concreto, então a autonomia e a possibilidade de desenvolver um calendário próprio em cada escola são impraticáveis! A Secretaria de Educação cumpriu seu papel em defender o calendário, mas será que a direção sindical avaliou cuidadosamente a “proposta” antes de concordar com boa parte dela? Quantos dos professores que precisarão se submeter a esta jornada extrema foram ouvidos antes que tais medidas fossem elaboradas e abençoadas? Enfim, fica a preocupação de que a viabilidade e a qualidade das reposições não estão sendo devidamente levadas a sério. Os fiscais devidamente nomeados para lançar suas vigilantes espiadas nos professores não conseguirão garantir a qualidade da reposição.

Ainda sobre o calendário, chegou a ser sugerido: vamos utilizar os sábados para fazer “festejos” escolares! Sim, claro, vamos festejar aos sábados as efemérides protocolares do calendário escolar enquanto estivermos arrasados pela carga-horária concentrada! Vamos comemorar o dia 29 de dezembro como marco de uma formulação de reposição insólita! Vamos nos confraternizar com os alunos do turno da noite que estarão impossibilitados de chegar na escola! Festa: não haverá reposição à noite!!!! Vamos vibrar com os esforços olímpicos dos professores que precisarão ir de uma escola para outra em questão de minutos! Vamos celebrar a corrida contra o tempo, os atrasos no horário a cumprir, a exaustão, a alimentação precária e rápida, a escola imunda por falta de tempo para limpeza! Festejaremos a precariedade acentuada de um trabalho já precário e o medo do próximo levantamento do IDEB - Índice de desenvolvimento da Educação Básica -, pois nada indica que deixaremos de ter a pior educação pública do país! Nossos sábados letivos serão dias de festa, mas não poderemos comemorar a reposição nos termos impostos como se fossem sugestões pois ela terá qualidade precária – e terá mesmo. Isso não foi devidamente avaliado na discussão, mas as questões foram levantadas!

Além de tantas outras coisas afirmadas, detalhes que a própria dinâmica e contingências de um debate ao vivo acabam não conseguindo contemplar, nada de novo foi discutido em profundidade. A idéia do programa foi ótima e a produção da Rádio Jornal está de parabéns, mas este é um tema que necessita ainda de muitos debates.

Quando tratamos dos problemas da educação no Brasil ou em Pernambuco, a luz no fim do deste longo túnel continua distante.

5 comentários:

  1. Recusei-me a assinar o tal termo, que fiquem com o que foi descontado (isso é o de menos), e a GRE(ia) já mandou saber por que, a resposta foi óbvia: horário absurdo, aulas não de reposição e sim de encenação.

    Pena que todos os professores do estado não tiveram a mesma atitude e não mandaram as GRE(ias), a Secretaria de (Des)educação e o Ditador do Estado para a pqp.

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  2. O calendário está sendo empurrado goela abaixo e - infelizmente - não apenas pela Secretaria de Educação! Há, em nosso meio - e em nossas instâncias representativas -, quem não o reprove! Que fique claro: QUEREMOS REPOR AS NOSSAS AULAS, mas queremos fazer isso com qualidade e sem supostas propostas mirabolantes e caóticas que não irão garantir esta qualidade e só reiterarão o fato de que a educação é um objeto de descaso.

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  3. E eu sei bem que tipo de professor está gostando desse calendário mirabolante: aqueles tipinhos que ficavam assinando o ponto durante a greve, aqueles tipinhos que não iam as assembléias, aos atos e as passeatas, aqueles tipinhos que mesmo dentro da sala de aula não dão aula e só enrolam, aqueles tipinhos que acham que preencher caderneta é mais importante que dar aula, em suma, aqueles tipinhos que fingem que ensinam enquanto os alunos figem que aprendem.

    A reposição das aulas precisa ser feita em dias corridos de horário normal, qualquer outra proposta é inviável e só prejudicará mais ainda o alunado.

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  4. O cumprimento desse calendário é impossível. Caso ele permaneça ( e tudo indica que sim), não haverá reposição de aulas. Será apenas mais uma demonstração do poder de retaliação que o Estado, dito democrático , utiliza, numa tentativa de desmoralizar os professores diante da sociedade.A elaboração desse calendário não demonstra apenas a falta de conhecimento acerca da realidade das nossas escolas, demonstra, principalmente,a má fé para com toda a comunidade escolar.

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  5. Maria Albênia de Souza11 de agosto de 2007 22:01

    O Termo de Compromisso é mais uma das barbáries impostas pelo insano secretário de (des)educação à nossa categoria.Interessante é que além de suportarmos esse louco, precisamos aturar (algumas)direções de escolas que, esquecem que foram eleitas pela comunidade escolar e cumprem de cabo a rabo as ordens das Deres/Geres/Gres/Greas... ou qualquer uma dessas instituições encarregadas de fazerem a lavagem cerebral nesses gestores ditos "autônomos".
    Recusei-me a assinar o ridículo termo e por representar uma minoria nas Unidades em que trabalho, fiquei "mal na foto".Mas, não me preocupo, continuarei repudiando todas as mazelas e imundícies que forem lançadas contra os trabalhadores em educação.Trabalhei de luto a semana inteira e preotestarei sem dúvida alguma à presença de "olheiros" que serão encainhados às escolas para fiscalizar o nosso trabalho.
    Ah! Os temas trabalhados em geografia esta semana foarm:Os fatores que culminaram na greve dos professores/Democracia X Ditadura/Escola de Qualidade/Estado de Direito, entre outros.

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