quinta-feira, 23 de julho de 2009

O desabafo de Eduardo Campos. Sobrou até para a mídia

Governador aproveita encontro sobre segurança para fazer autoelogios, cobrar “reconhecimento” pelo que já fez e bater no “modelo neoliberal”
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Cecília Ramos, no caderno de política
Publicado no Blog de Jamildo (original aqui)
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Com dedo em riste, gesticulando sem parar, misturando assuntos e com tom de voz elevado e fora do habitual, o governador Eduardo Campos (PSB) aproveitou a 1ª Conferência Estadual de Segurança Pública de Pernambuco, ontem à noite, em auditório do Centro de Convenções, para passar dois anos e seis meses de seu governo a limpo. Candidato à reeleição, deu uma mostra do que pode estar reservando para 2010. Em muitos momentos de autoelogios, fez comparações com antecessores e afirmou que “precisam reconhecer” o que sua gestão tem feito, especialmente no combate à criminalidade em Pernambuco, um dos Estados mais violentos do País. Entretanto, o Estado completou seis meses seguidos de queda na violência.
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No mesmo discurso, Eduardo criticou a “esquerda”, campo em que se coloca inserido. Em síntese, culpou o “modelo neoliberal” – doutrina econômica que prega liberdade de mercado e pouca intervenção estatal - por boa parte dos males da Terra e, agora, pela crise econômica mundial. O termo neoliberal é associado à Era Fernando Henrique Cardoso (PSDB), antecessor do presidente Lula (PT). “Esse debate (sobre o pós-crise) está interditado na esquerda, no movimento social e precisa reacender”, criticou.
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Apenas nesse momento Eduardo fez uma vaga referência aos servidores grevistas da Educação, que promoveram apitaço do lado de fora do auditório. O governador colocou que o debate não deve ser sobre campanha salarial, “que 10% ou 15% parou”, mas sobre o modelo econômico que o movimento social precisa ajudar a construir e que não deve ser feito “pela cabeça da elite”. Aliás, a esse segmento, ele reservou severas críticas. “Peitei a elite de Pernambuco, setores reacionários que pensavam que combater a violência é botar polícia na porta dos que lutam por terra”. E prometeu fazer da política pública para a segurança uma referência para o Brasil, com o “capital político” que os eleitores lhe conferiram. “Esse esforço, que não é só do meu governo, é do povo, terá que ser reconhecido”.
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Eduardo desabafou ao afirmar que “a mídia lá fora e a nacional” reconhecem os seus feitos. Antes dele discursar, o presidente da Assembleia Legislativa, Guilherme Uchoa (PDT), dedicou toda sua longa fala a enumerar ações do governo. Em entrevista, o governador insistiu que “os partidos” precisam fazer um debate “consistente” do pós-crise ao invés de discutir 2010. “Tudo bem. Esse debate não vende jornal, não dá manchete, mas é o que me cabe fazer. Eu não fiz da minha vida uma busca de um lide (texto de abertura de uma reportagem) ou de uma manchete”.

4 comentários:

  1. Professora Juliana23 de julho de 2009 23:03

    Postura típica de ditador!Sinto muito por Pernambuco, por todos nós. Estamos vivendo dias de caos e pior que muita gente não se deu conta.Além de ditador, tb COVARDE.Nosso estado está entregue às baratas.

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  2. Cada vez mais, me assusto com apostura desse ditador que se chama:Eduardo Campos, preciso corrigir sem dúvida meu erro em 2010. A cada dia que passa ele se mostra um verdadeiro ditador, ou seja, se não faz o que ele quer, você entrará para sua lsista negra. Não consigo entender uma coisa: quão diferente ele é, quando comparada a Jarbas ou mesmo a Fernando Henrique? Visto que se trata de um carbono de ambos?

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  3. Não quero aqui defender Jarbas mas devemos lembrar que em seu governo jamais nomeou para secretário de educação alguém de fora da dita área. Isso já o diferencia em muito do atual governador.

    Acho que em governo algum fomos tão ameaçados de perseguição devido a greve quanto na atual gestão do estado.

    Jarbas parece um lord se comparado a ira do atual governador nos momentos de crise por que passa o nosso estado.Pior é que ele, o atual governo, nega e vende imagem de prosperidade contrariando até o que prega ao negar conversa com os servidores mal pagos.

    Afinal Pernambuco está ou não crise governador?

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  4. Jarbas não nomeou ninguém fora da área da educação. E daí? Quer dizer que prestou? Não me importo se nomeiam um chimpanzé ou uma topeira como secretário de educação se existir um projeto positivo de valorização da educação que inclua o reconhecimento dos educadores.

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